quinta-feira, 16 de abril de 2009

Estudantes complementam eventos de moda no DF




A participação de alunos do Instituto de Educação Superior de Brasília (IESB) em eventos realizados no DF vem aumentando a cada semestre. A teoria e a prática lado a lado tem se feito presente. O exemplo mais recente foi a atuação dos estudantes nos desfiles do Capital Fashion Week (CFW) e do Claro Park Fashion, realizados no mês de março.

A parceria do IESB com a produção do CFW, por exemplo, acontece pelo quarto ano consecutivo. Alunos de moda, publicidade e propaganda, jornalismo, cinema, gastronomia e relações internacionais formam o grupo de futuros profissionais que fazem desses grandes eventos, seus laboratórios experimentais. É ali que o aprendizado é posto em prática. De acordo com a Central de Mídia do IESB, os alunos que mais procuram participar, são os de jornalismo até porque a área de atuação deles é maior.

Apesar disso, o grande destaque dos desfiles são os estudantes de moda. Alunas que ainda estão no começo do curso ganharam espaço para colocar suas coleções na passarela. Com isso adquirem experiência não só na produção dos modelos, mas também trabalhando ao lado de grandes nomes da moda. Akihito Hira é um deles. Ele trouxe uma coleção inteiramente masculina para esse semestre, que foi muito bem recebida pelo público. Akihito acredita na importância de se abrir espaço para os futuros colegas de trabalho. “As oportunidades em grandes eventos são grandes portas para estudantes iniciarem na profissão”, afirma o estilista.

Malana, uma das finalistas do concurso Brazil’s Next Top Model, também acha interessante que os alunos façam parte desses acontecimentos. “Acho que a participação desses estudantes nesse tipo de evento tem uma importância muito grande, principalmente para os alunos de moda, que vivenciaram todo o processo de criação até a finalização dos desfiles.” Ela acredita que eles aprendem na prática o que foi visto em sala de aula, além de aprender ensinar uns aos outros.

Para os alunos, os desfiles formam uma festa a parte. Há uma interação muito grande entre os cursos participantes. Além do contentamento dos alunos em participar dos desfiles, pode-se notar um grande esforço por parte do IESB em promover esses alunos e investir naqueles que estão sendo formados. Eles podem trabalhar com filmagens, fotografia, reportagem, backstage (bastidores dos desfiles), sitting (informar aos convidados de cada loja a cadeira reservada para cada um deles) e coordenação. A função de cada aluno depende bastante do semestre que ele cursa.

O estilista Akihito Hira diz ainda que acredita muito na seriedade do IESB como instituição de ensino, pois oferece a melhor estrutura e professores especializados que trazem um diferencial aos estudantes. A instituição vem crescendo e ganhando espaço e credibilidade por conta dessas oportunidades. Eda Coutinho, diretora do IESB, faz questão de prestigiar seus alunos e apoiá-los.

Os estudantes entram em contato com pessoas de suas respectivas áreas. São grandes (e talvez únicas) oportunidades. A jornada de cada aluno é longa, mas o primeiro passo pode ser dado nestes eventos.

domingo, 12 de abril de 2009

A obra

Raduan Nassar escreveu Lavoura Arcaica em 1975. Com um estilo ziguezagueante e narrado em primeira pessoa, o livro conta a história de André. O personagem conta sua vida de uma maneira não cronológica, indo e voltando da infância até o momento em que vive. O livro é divido em duas partes: A partida e O Retorno. Ele foge de casa e abandona uma família de agricultores ainda regida pelo sistema patriarcal. Anos depois, quando seu irmão Pedro o encontra, André conta a ele as razões que o fizeram sair de casa. Pedro então o convence a voltar para casa e para a família.

André vivia a frente de seu tempo. Não agüentava mais o meio rural. Para ele, as gerações se perdiam no tempo. Nada de novo acontecia. Não concordava com o sistema arcaico e rígido em que seu pai vivia e educava a família. Com freqüência, comparava a forma carinhosa como sua mãe o tratava e a dureza das palavras e atitudes de seu pai.

Além das discórdias com seu pai, André alimenta uma paixão platônica e incestuosa por sua irmã Ana. Isso o atormenta e o consome durante anos e é um motivo a mais para sua partida. Essa paixão levanta a discussão que sonda os relacionamentos entre membros de uma mesma família.

Quando o protagonista resolve abandonar a casa, ele coloca em risco todo o equilíbrio da família. Esta, por sua vez, é permeada pela forte presença da religião e pela severidade patriarcal. É aí que o pai de André resolve mandar Pedro, o filho mais velho, em busca do ‘filho pródigo’. Pedro o encontra em uma pensão, numa cidade também interiorana.

Ao conversarem, André explica porque saiu de casa. Sem revelar seus sentimentos e desejos por Ana, pergunta sobre ela ao irmão que traz noticias. Pedro explica a situação da família. Diz que a mãe sofre muito com sua partida e que o clã está em decadência desde que ele saiu de casa.
Depois de muita explicação e conversa com André, Pedro o convence a voltar para casa.

Ao retornar, André é recebido com grande entusiasmo por todos. Uma longa conversa com o pai e a festa que lhe foi preparada só comprovam a distância das idéias e opiniões entre os dois. Ao reencontrar Ana, André percebe que seus sentimentos por ela não mudaram em nada. Pelo contrário: a paixão vem à tona com uma força ainda maior.

Quando o pai percebe que Ana também é apaixonada por André, ele mata a filha. Ana é um pivô na trama do começo ao fim. O pai também morre no final do livro, mas não fica explicita a razão. Como se isso não bastasse, seu irmão caçula (Lula), pretende deixar a fazenda e procurar novas oportunidades em outros lugares. É o êxodo rural fazendo parte da narração.

O livro conta com uma linguagem quase poética. É possível imaginar cada cena de forma intensa. Beleza, erotismo e drama são qualidades dessa narração. As divergências entre os ideais de membros da mesma família são colocadas em xeque. A paixão entre parentes também é assunto.

O interessante desse livro é que todos os dramas nele descritos podem ser trazidos para os dias atuais. Não são fatos que foram motivos de discórdia apenas no passado.

André busca uma individualidade dentro da família, mas ao mesmo tempo quer ‘seu lugar à mesa’. Pessoas hoje ainda vivem esse dilema. Os filhos querem a liberdade de sair da casa dos pais, mas sabem o que espera por eles. Um leque de responsabilidades e dúvidas se abre ao sair da proteção da casa dos pais.


Em relação à forma como o pai educa os filhos e como a família é submissa a ele, também são características de dias atuais. Talvez não com a mesma rigidez nem por conta dos mesmos valores, mas há famílias parecidas com a de André ainda hoje. Quando um grupo é regido pela presença marcante da religião, por exemplo, é normal que os casamentos sejam realizados somente entre famílias com os mesmos dogmas. O mesmo acontece em relação às etnias: são aceitas apenas as uniões de pessoas do mesmo grupo.

O tabu que existe entre a união de membros da mesma família, persiste. Casamento entre primos, por exemplo, não são bem vistos. Além do cunho moral, a genética é imposta. A união entre pessoas de um mesmo grupo pode proporcionar com mais facilidade o desenvolvimento de doenças hereditárias. Isso se agrava quando acontece entre irmãos nos dois aspectos.


André deixa a fazenda por conta dessa paixão e por acreditar que seu lugar não era ali. Parte para outro município interiorano em busca de novas oportunidades. Isso é o que acontece com muitas pessoas no país. Até pouco tempo, a maior parte da população brasileira morava em meio rural. O fenômeno do êxodo é recente. Muitas pessoas seguem essa idéia. Buscam uma melhora nas condições de vida.

Lula é seu irmão caçula e revolve seguir seus passos ainda que isso não fique bem claro na narração. É o que acontece: quando um tem a coragem de buscar algo melhor, mesmo que não dê certo, tem sempre alguém disposto a segui-lo e tentar. O mundo evolui e aqueles que acreditam e vivem nessa evolução não se acomodam no tempo. Se necessário, batem de frente com gerações passadas como foi o caso de André.

Lavoura Arcaica é instigante porque seus leitores acabam se identificando com os personagens em algum momento. São acontecimentos não raros que podem fazer parte da vida de qualquer pessoa em alguma medida.



segunda-feira, 6 de abril de 2009

pai rico, filho pobre (de espírito)

“Nápoles, Itália, verão de 1924. Alegre, recém-chegado do Brasil, o conde Francesco Matarazzo entra na alfaiataria predileta. Confere as medidas, examina dezenas de cortes de casimira inglesa, escolhe um. O velho alfaiate estranha:

- Só um terno, senhor conde? Vosso filho mandou fazer meia dúzia hoje de manhã.
- Ele tem pai rico, eu não.”

É esse o prefácio do livro Matarazzo [a travessia], de Ronaldo Costa Couto. A resposta do senhor Matarazzo não precisa de maiores comentários. Lembrei-me dessa passagem depois de assistir a um vídeo indicado por um amigo. Nele, um repórter chamado Élcio Coronato sai pela noite em busca de jovens. Ele apenas quer saber quanto eles gastam em uma noite. E a resposta me envergonha.

Um deles diz que quando bebe moderadamente o gasto é de 150 reais, em média. Um segundo rapaz dá o valor de 200 reais. A pergunta vai então para uma jovem. A resposta me quebrou... 500 reais é o que ela gasta em uma noite. Quando o repórter pergunta quem banca, ela dá uma resposta ainda mais vergonhosa: “meu pai.” Eu definitivamente não entendo.

O salário mínimo está em 465 reais. Normalmente, esse valor vai sustentar uma família inteira durante um mês. Aí vem alguém com vinte e poucos anos, sustentado pelos pais, dizer para quem quiser ouvir que ele gasta 100, 200, 500 reais cada vez que sai de casa. Pagam por uma bebida até seis vezes mais que o seu custo real. Burrice agora é sinal de riqueza (e popularidade).

Mas vem cá... quem é que merece um castigo por isso? Sim, porque como a menina aí em cima disse, é o pai quem banca. E não adianta dizer que muitas vezes os pais não sabem como os filhos gastam o dinheiro. Essa é a velha muleta do aleijado. É mais fácil dizer que não sabe pra onde vai o dinheiro, que negar algo aos filhos. Beeeela formação de cidadãos!

As pessoas perderam a noção do que é sofrer para conquistar um patrimônio. Especialmente aquelas que se utilizam dele sem nem saber de onde veio. Acho que agora está explicado porque um dos jovens rasgou 150 reais dizendo que era “MIXARIA ESSA MERDA AÍ.” De fato. Abrir a carteira do “paitrocinador” é bem rentável e não é lá um serviço árduo.

Ah sim, e lembrando: http://ow.ly/2b6y esse é o site para quem quiser entender bem a minha revolta. Aos que acham que isso é uma crítica, só para confirmar e reforçar a idéia, digo que de fato É UMA CRÍTICA. Obrigada.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Legalização da maconha

A verdade é que esse assunto está rendendo matérias e matérias em todos os meios de comunicação. Por não ser considerada uma droga química, por especialistas afirmarem que com a legalização da droga, o tráfico deixaria de ser um problema e por se ter ex-presidentes de países com sérios problemas quando o assunto é maconha. Seja por qual for o motivo, esse assunto está dando o que falar pois sempre há uma resposta pra lá de imediata do lado que é contra a legalização.

A maconha é considerada uma droga psiquica, pois o efeito trazido por ela faz com que o usuário acredite não conseguir mais ficar sem seus efeitos. O cigarro é considerado mais agressivo, por exemplo, pois seus componentes são prejudiciais para a parte fisíca do corpo. Mesmo não sendo considerada agressiva, deve-se levar em consideração o fato de a maconha ser a 'porta de entrada' para outros tipos de droga na vida de uma pessoa. Além disso, aquele argumento de que a juventude dos anos 1960 já usava não faz mais sentido. A composição da droga mudou e sua utilidade também. Já não se tem uma juventude em busca de ideais. É juventude perdida que busca nesse tipo de substância uma fuga para os problemas (que muitas vezes não existem). Deve-se lembrar da grande parcela de contrabandistas composta por pessoas da classe média alta.

Alguns dizem que a legalização é uma maneira de conter o tráfico. Sinto informar, mas o tráfico não é de maconha. Essa, qualquer um encontra em qualquer lugar. Ninguém precisa subir o morro pra conseguir. Plantar a droga no quintal de casa é tão fácil quanto plantar em espaços reservados para o jardim na faculdade (acreditem: isso acontece não muito longe de você). Esse é mais um daqueles argumentos sem muito fundamento, mas bem utilizado quando o assunto é comoção.

O apoio de ex-presidentes como Fernando Henrique Cardoso em decisões como essas é valiosíssimo. Alguém que já governou um país como o Brasil deve saber o que diz. Um país cheio de favelas, que é uma das principais rotas internacionais de tráfico, tem em sua população traficantes pra lá de experientes e tem em seu governo políticos plantando equitares e mais equitares de maconha, não é pra qualquer um governar. Espera-se que esses que apoiam saibam mesmo o que estão fazendo.

Não adiantam falar em medidas preventivas. Falar que está liberado mas que não é uma boa idéia usar, será tão eficiente quanto as campanhas contra o cigarro e bebidas alcoólicas. Todos sabem que faz mal, mas continuam usando. Continuam usando e trazendo prejuízos catastróficos para o país. Tanto financeiro quanto na contabilidade de vidas perdidas e famílias destruídas.

sábado, 13 de setembro de 2008

Afinal, o que é cultura?


O conceito de cultura pode ser relativo considerando as mudanças ocorridas no significado dessa palavra ao longo do tempo. Anos atrás, ser uma pessoa culta era possuir um grande conhecimento erudito. A cultura era medida de acordo com o número de livros que uma pessoa lia, com o número de peças de teatro assistido por ela e até mesmo as músicas ouvidas por ela. Mas isso vem mudando e isso acontece porque a sociedade mudou e virou um organismo muito mais complexo. A estrutura familiar, o ambiente de trabalho e tudo relacionado à organização de um grupo humano mudou. Com isso, a definição de cultura ganhou novos ares.


De acordo com o livro de José Luiz dos Santos, a coexistência de múltiplas culturas marca a história do homem. Já aqui admitimos outro conceito de cultura: o de costumes e marcas históricas dentro de um determinado grupo humano. O escritor afirma que nós temos duas concepções básicas do que venha a ser cultura. A primeira delas diz respeito a todos os aspectos sociais de forma um tanto quanto generalizada (a cultura européia, a cultura xavante). Já a segunda, diz respeito aos pormenores de cada grupo (considera-se que dentro da cultura européia existam franceses, italianos, alemães e portugueses comendo, se vestindo, falando e agindo de maneira diferente entre si).


José Luiz dos Santos escreve sobre a classificação recebida por cada cultura. Algumas são consideradas mais avançadas, outras menos e há aquelas em estágio de selvageria. Seguindo o padrão europeu, os grupos são classificados. Segue-se esse padrão porque se acredita na superioridade do europeu. Acredita-se que, por ele ser mais avançado em alguns aspectos (como a economia, por exemplo), ele seja superior. Aí começa um grande erro da sociedade.


Biologicamente falando, os humanos foram se reproduzindo, dando origem a novas pessoas. Essas novas pessoas logo se tornaram milhões. Passaram então a casa dos bilhões e foram se distribuindo pelo planeta, atingindo dimensões continentais. Não se pode pensar na homogeneidade de pensamentos, ações, alimentação, costumes e crenças em um espaço tão grande e com um número crescente de pessoas.


Cada grupo se desenvolve de acordo com as necessidades do lugar em que nasceu. Usa esta ou aquela roupa, de acordo com a temperatura do lugar e se alimenta dos alimentos disponíveis. São grupos vivendo separadamente. São grupos que sabem de suas próprias necessidades. Não se podem hierarquizar culturas. Um grupo de agricultores não é mais avançado que um grupo nômade porque sabe plantar seu próprio alimento. Assim como o nômade não pode ser considerado mais avançado por conhecer mais lugares que o agricultor. São desenvolvimentos em áreas diferentes.


Alem disso, é muito comum o uso do “modo geral”. A cultura brasileira não pode ser vista como algo homogêneo. O Brasil é uma nação. Dentro dessa nação existem grupos agindo de maneiras diferentes, há culturas diferentes. O sulista pode não concordar com o modo de vida do nordestino. São maneiras de pensar diferentes, mas que pensam num mesmo espaço chamado nação. A empregada doméstica não ganha o salário de uma advogada e tampouco vivem de maneiras parecidas, mas estão inseridas em um mesmo contexto e podem, inclusive, construir uma relação profissional.


A palavra cultura pode designar o oposto à barbárie e pode ser a alta cultura. No primeiro caso, ela vem como sendo marca registrada da civilização. Este ou aquele é um país culto seria o mesmo que inferir a ele um título de país civilizado. Já no segundo caso, diz respeito à posição digna de nota e admiração por ser o oposto a falta de conhecimento (domínio da língua escrita, por exemplo) e de religião. Durante muito tempo cultura e civilização tinham o mesmo significado.


Com o passar do tempo e depois de muitas discussões, o mundo passou a admitir outros conceitos de cultura. Foi deixando de ser sinônimo de civilização para ser marca registrada do ser humano. Todas as pessoas possuem cultura. Alguns países produzem mais algodão, outros produzem mais cana. Algumas pessoas são excelentes escritoras, outras tocam um violão como ninguém. É nesse contexto que a cultura popular aparece, dividindo o espaço com a cultura erudita (até então aceita como única e absoluta).


Entrando um pouco na parte jornalística, a comunicação de massa é um dos grandes responsáveis pela homogeneidade dos padrões de vida de um grupo. Isso acontece principalmente em sociedades capitalistas em que o consumo deve acompanhar o crescimento da indústria e não o contrário. Esse tipo de comunicação consegue atingir a todos (ou pelo menos grande parte do público) de maneira igual, de modo que a classe social, raças e crenças não são levadas em conta. Dessa maneira todos se sentem membros de uma mesma cultura e com essa sensação de igualdade, o publico se adere àquilo que lhe é passado.


Os meios de comunicação são formas poderosas de padronizar uma cultura. Eles parecem atingir cada pessoa individualmente, fazendo-a pensar como querem que ela pense.
No caso da cultura nacional, pode-se dizer que mesmo nação e cultura tendo dois significados distintos elas estão interligadas, pois ambas são decorrências de fatos históricos. A cultura nacional de uma determinada nação é reflexo de todo um contexto.


No Brasil, fala-se muito do ‘jeitinho brasileiro’. Em meio a problemas como fome e falcatruas da política, o povo começou a se adaptar desde cedo a esse tipo de situação, driblando as dificuldades. Isso pode conferir ao Brasil um ar de conformismo, como se as pessoas tivessem se acomodado diante de situações “sem solução”. Isso é uma das características brasileiras aos olhos da própria nação e aos olhos de outros povos também. O jeitinho brasileiro é cultura comum.


Cada vez mais a cultura é ligada ao poder. A cada dia o espaço para discussões a cerca do que seja cultura, tem aumentado. E não é à toa. Sendo sinal de poder, ela deve ser entendida para ser controlada. Cultura está ligada também a economia já que em suas varias formas, ela acaba trazendo o lucro. Existem empresas públicas cuidando dessa área, inclusive.


Em resumo, o que se vê no livro de José Luiz dos Santos são as mudanças sofridas pela definição de cultura ao longo do tempo, os equívocos cometidos ao se afirmar que esta ou aquela cultura é mais avançada e o uso dessa afirmação para hierarquizar os povos. Não chegamos ainda a um denominador comum sobre esse assunto. Mas com as várias pesquisas pode-se observar que a cultura não é algo permanente. Ela muda o tempo todo. Isso explica inclusive a celebre frase repetida pelos mais velhos: “... mas no meu tempo não era assim”.

Competência punida

No mês de setembro, a Polícia Federal de Brasília pediu a prisão da jornalista Andrea Michael. Ela foi acusada de divulgar informações sigilosas a respeito da operação Satiagraha. O pedido de prisão da PF faz parte desta Operação. Isso levantou discussões a respeito do assunto: ela estava certa ao divulgar dados sigilosos? A quebra de sigilo é crime, mas ela é jornalista. Os jornalistas Paulo José Cunha (Comitê de Imprensa), Vannildo Mendes (O Estado de São Paulo) e Fábio Vannuzio (Rede Bandeirantes) fazem uma mesa redonda para analisar a situação de Andrea.
De acordo com Mendes, a investigação feita por Andrea é a prática jornalística. “A obrigação de segurar a informação é deles (justiça). A nossa é de investigar e divulgar”. Não cabe a ela esperar que a Operação termine para ser divulgada qualquer notícia a cerca do assunto. O papel do jornalista é ser o elo entre a população e o ocorrido.
Nesse contexto, a mesa redonda se desenvolve. A quebra de sigilo não foi da jornalista. Muito provavelmente, essa informação partiu de alguém responsável por proteger essas informações. Ela apenas usou isso como gancho para fazer o que os jornalistas chamam de furo de reportagem. Pode não ter dado muito certo, mas ela realizou sua função com a competência que se espera de um (a) jornalista.

Procura-se estágio!


Você procura estágio? Bem-vindo a leitura desse texto então. Nossa, como é difícil! Se for procurar pelo método convencional, de cara eles te pedem um currículo. Agora, me explica uma coisa: que currículo tem uma pessoa de 18 anos que acaba de sair da casa dos pais (ou não) e leva a vida corrida de um universitário?

De atendente de loja a assessor-executivo de algum político, todos querem o tal currículo. Além de um bom curso de inglês, de alguns cursos práticos na sua área de atuação, estar cursando pelo menos o 4° semestre do seu curso, de um bom papo, de um pouco de beleza (não em todos os casos, mas é bom também), um pouco (muito) talento e agilidade, é de fundamental importância que você tenha também um bom QI.

O nosso velho e conhecido QI é aquela pessoa com um pouco de influencia e que é amigo do tio da nora da sobrinha do seu futuro chefe. Seu futuro chefe também pode ser seu QI antes mesmo de ser seu chefe (entendeu, né?). Até faz sentido se considerarmos que os bons merecem os melhores lugares... Mas seria interessante que essa onda de influencias fosse deixada um pouco de lado. Ainda mais em relação a universitários que estão começando.
Deixem os verdadeiros talentos aparecerem naturalmente. Senhores empregadores, o beneficio desse tipo de contratação vem em longo prazo. Dêem espaço para nós, universitários iniciantes, mostrarmos que mesmo sem um bom QI, nos sobra eficiência. E tenho dito.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Cultura, Heróis e Mitos

Super Homem, Homem Aranha, Tiradentes, Quilombo dos Palmares, Pelé, Ronaldinho. O que eles têm em comum? Todos são vistos como heróis. Sempre pelos mesmos motivos? Talvez não. Mas são admirados por agirem de maneira diferente. Por fazerem coisas que um ser “comum” não faria.

Cada ser humano nasce em uma determinada família, em um determinado lugar, em uma determinada época. Assim que vem ao mundo, tudo ao seu redor já está formado. Tudo já lhe está sendo imposto. Ele acredita que agir desta ou daquela maneira seja certo. Acredita que isto ou aquilo é melhor para ele. Aprende determinadas coisas, adquire conhecimentos, valores. Tem um tipo de vestimenta, um tipo de alimentação, uma crença. Cada indivíduo tem sua própria cultura.

Quando “caímos de pára-quedas” no mundo, a tendência é seguirmos o que ali já está implantado desde antes da nossa chegada. Fazemos isso porque se agirmos de outra maneira, podem nos condenar. Podem nos excluir desse ambiente. Não podemos fugir a regra. E não podemos pelo simples fato de termos medo. Medo do desamparo. Medo do desconhecido.

Mas nessa mesma sociedade, dentro dessa mesma cultura, há sempre alguém que vai contra tudo (ou quase tudo) que lhe foi imposto. Passamos a acreditar que essa pessoa é diferente. Ela já não está alienada como os demais. Talvez a partir daí surja o herói.

Um herói pode nascer de várias formas. Ser aquele de histórias em quadrinhos e das telas do cinema. Aquele dotado de algum super poder, que luta pela justiça e pela igualdade. Mas ele também pode ser herói por ter morrido pelo bem comum, por ter arriscado a vida para mudar uma situação. Ele pode ser herói por representar uma minoria marginalizada (e ser notado e respeitado até mesmo e, principalmente, pela maioria privilegiada).

Heróis e anti-heróis existem. O que ninguém entende é que heróis erram, têm suas fraquezas. Ninguém entende que “os heróis também podem chorar”. O que ninguém entende é que aquele tachado como o anti-herói nem sempre está errado. O que todos querem é que herói seja perfeito. Querem que ele passe da sua condição de humano.

Quando se fala em mitos, a figura que se tem em mente a respeito de seus personagens é a de pessoas belas, pessoas perfeitas. Pessoas que, quando erram, tem uma oportunidade de se redimir. Os mitos são usados para buscar no imaginário aquilo que na realidade não existe.

Cada povo cria seu perfil de herói de acordo com a sua cultura e principalmente, de acordo com as suas necessidades e desejos. Um herói só é herói porque faz aquilo que ninguém mais consegue ou tem coragem de fazer.

Cultura, mitos e heróis são palavras diretamente ligadas. Cada povo tem sua cultura. Cada cultura tem seus mitos. Cada mito tem seus heróis. Salve a cultura brasileira com seu futebol arte e seus mitos... seus heróis!

sexta-feira, 20 de junho de 2008

O segredo de O Rei Leão

Aquilo que está por trás de uma boa história

A Jornada do Escritor foi escrito por Christopher Vogler, publicado pela editora Nova Fronteira em 1998 e traduzido por Ana Maria Machado. É um famoso livro para roteiristas de Hollywood. Ensina como podemos escrever uma boa obra, usando como trunfo as raízes mitológicas de um determinado povo (monomito).

O livro é baseado na obra de Joseph Campbell e se tornou uma espécie de bíblia entre os roteiristas. Christopher fala sobre os 12 estágios pelos quais o herói passa durante o desenrolar da história. Ele recebe um chamado para a aventura, podendo ser um problema ou mesmo um desafio. Passa por resistências até aceita-lo e enfrenta perigos (inclusive arriscando a própria vida). Assim a história se desenvolve até que ele chegue ao final da aventura trazendo como recompensa, por ter se arriscado, algo que o traga o bem comum.

Apesar de colocar 12 pontos que podem fazer de um roteiro um grande sucesso, ele alerta que é apenas “uma forma, não uma fórmula”. Pode ser seguida, não sendo obrigatória. Inclusive ele fala sobre as pessoas que acreditam na falta de necessidade que uma criança tem de seguir um professor, ou qualquer outro modelo na hora de criar uma história. Ele acredita que a criatividade vem de cada um, não necessitando se espelhar em algo.

Essa estrutura que Vogler desenvolveu, essa “forma” como ele mesmo chama, é apenas a estrutura seguida por grandes sucessos como A Pequena Sereia e Bambi. O público está habituado a essa linha de desenvolvimento de uma história. O grande segredo não está em querer mudar isso, mas sim, em não deixar que isso vire mesmice.

O herói é diferente em cada parte do mundo. Em alguns lugares ele é pitoresco. Em outro, ativo e incessível. Isso se deve ao fato de existirem diversas culturas e crenças em todo o mundo, cada um com seu perfil de herói.

O escritor da obra faz uma análise entre grandes fenômenos mundiais do cinema como O Rei Leão, Titanic e Guerra nas estrelas. Todos fazem com que o telespectador se identifique de alguma maneira com o que está vendo. O primeiro é um clássico infantil em que se mostra a ligação entre pais e filhos e o que ela representa na hora da morte deste, ainda mais em relação aos sentimentos de uma criança. A criança se coloca no lugar do filhote.

Já em Titanic, tem todo um romance por trás da trama. A disputa pelo amor de uma jovem em meio a diferentes classes sociais. Isso atrai a atenção do público, pois mesmo não tendo experiências de vida semelhante, as pessoas acabam se identificando com a história de um grande amor (sem esquecer a grande tragédia em que foi baseado o filme).

E por último, Guerra nas Estrelas, que é passada em outra dimensão. Todo esse desejo de imaginar como seria um lugar fora da Terra (e todo o resto da saga) atrai um grande público para as telas do cinema.

A Jornada do Escritor foi adotada como guia para a criação de roteiros em Hollywood. Todos seguem basicamente os mesmo padrões e não por acaso que hoje somos perfeitamente capazes de identificarmos uma “produção Hollywoodiana”.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Anos de Chumbo... Dourado


O período mais repressivo da ditadura militar foi, também, o de maior desenvolvimento econômico para o Brasil. 1968 foi a fase mais violenta e conturbada que o país viu até o momento na história de sua política.


Batizado como Anos de Chumbo pelos membros da imprensa, este período vai do final de 1968 até março de 1974. Avanços industriais e, conseqüentemente, econômicos foram notórios. Mas isso não quer dizer que a sociedade inteira tenha se beneficiado desse crescimento todo. As inflações foram às alturas, as desigualdades sociais ficaram mais claras e a repressão política era cada vez maior.


O cenário internacional disso era a Guerra Fria, um dos episódios marcantes na duradoura disputa entre capitalistas e socialistas. A extrema-esquerda batia de frente com o aparelho policial e militar (direita) que estava a serviço do Estado.


E é nesse momento que a liberdade de imprensa some. Ou pelo menos ganha limites. Márcio Moreira Alves, deputado, é acusado de ofender as Forças Armadas do governo Costa e Silva. Ele fez um discurso incentivando a população a não participar do desfile de 7 de setembro como uma forma de protesto contra a ditadura.


Indignados com o que acabara de acontecer, Costa e Silva juntamente com os militares, pedem ao Congresso Nacional que processe Márcio Moreira Alves. O pedido é negado. O jornalista do Estado, Julio de Mesquita Filho, publica um texto indignado sobre a falta de visão para governar o país de que dispunha o então presidente Costa e Silva. Esse texto foi tirado de circulação pelo general Silvio Corrêa de Andrade, Chefe do Departamento da Polícia Federal em São Paulo. Corrêa confiscou o exemplar que ainda estava na impressora e apreendeu o acumulado de jornais já prontos para despache e venda.


Corrêa ainda tentou negociar com Mesquita Filho, mas não teve conversa. O jornalista se negava a mudar suas publicações para que o governo saísse ileso de ofensas e críticas. Isso aconteceu nos instantes que antecederam a assinatura do AI-5. Depois de assinado o Ato Inconstitucional n° 5, Mesquita Filho ainda participou de uma reunião no Palácio dos Bandeirantes com o governador Abreu Sodré e o general Andrade. Ele poderia continuar publicando seus jornais, mas deveria ser mais cauteloso.


Mesquita Filho não escreve editorias até o final de sua vida, que seria em 1969. Com sua morte Julio de Mesquita Neto, seu filho, assume seu lugar na direção do jornal. A ditadura e a censura persistem. Mesquita Neto explica durante um debate em 1970 que a página reservada para comentários políticos, deixou de ser utilizada. De acordo com o então diretor, não havia liberdade suficiente para exporem seus pensamentos e por esse motivo não utilizavam aquele espaço como deveriam.


Esses espaços eram usados com outras publicações. Reportagens banais ou até mesmo poemas e receitas. Alguns jornalistas se recusavam a ocupar seus espaços com matérias sem importância.
O período mais repressivo tenha sido, talvez, entre os anos de 1968 e 1975, quando censores foram implantados com maior ou menor rigorosidade. Tudo dependia das ordens governamentais. E no ano de 1972, o regime passava por uma instabilidade por conta da sucessão de Médici. Isso aumentou ainda mais a repressão.


Com o passar dos anos os jornalistas foram tendo seu espaço de volta. Mas isso não quer dizer, contudo, que eles possam escrever tudo aquilo que julgam certo e conveniente. Anos depois passou a existir a Lei de Imprensa. Esta processava jornalista por calúnia e difamação.


Na verdade a intensidade das penas é que mudou, não os motivos. Sendo assim o jornalista ainda fica delimitado à certas publicações. Do contrário, há complicações que podem levar a um prejuízo grande.


A imprensa existe há 200 anos. A repressão também. Começou com a proibição real para que impressoras fossem postas em funcionamento no país. Na verdade a censura existe para defender interesses particulares ou oligárquicos. A diferença está na punição que cada época aplicou em seus membros da imprensa.

terça-feira, 20 de maio de 2008

Ônibus 174


Sandro Barbosa do Nascimento sequestra um ônibus de número 174, que fazia o trajeto Central - Gávia, e mantém 11 pessoas como reféns por horas. Quando resolve se render usa uma das reféns, a professora Geisa Firmo Gonçalves, como escudo e sai do ônibus. Algo dá errado e um policial do BOPE atinge um primeiro tiro na mulher e logo depois Sandro a atinge fatalmente com mais três tiros nas costas e vai preso. Morre por asfixia dentro da viatura que o levaria a delegacia.


Mesmo não sendo sua intenção inicial, ele matou a professora. A reação da populção foi imediata: uma mistura de medo e revolta foi a resposta àquela barbárie. Com o passar do tempo, alguns acreditam que Sandro foi 'vítima do sistema'. Já imaginaram se todos que se julgassem 'vítimas do sistema' resolvessem sequestrar, roubar ou matar alguém? Não haveria mais classes média e alta para contar a história.


Se a maioria vive com pouco é porque uns poucos vivem com muito. Concordo. Mas aí eu pergunto: desses poucos, quantos são verdadeiramente culpados pelas diferenças sociais? E quantos estão bem (pelo menos financeiramente) por serem pessoas dedicadas e terem isso como devido merecimento? O que uma professora tinha a ver com a má distribuição de renda do país, desvios de verba, com a falta de oportunidades iguais para todos? O que tinha essa professora a ver com o sistema e sua estrutura social precária?


Ela era apenas mais uma dentre tantos buscando uma vida melhor. E mesmo não sendo uma simples professora, mesmo sendo o pior dos governantes, o culpado por toda a precariedade social, nada justificaria alguém disparar três tiros em suas costas e acabar com sua vida. Há outras maneiras de se ganhar a vida sem ser roubando. Há outras maneiras de chamar a atenção para os problemas sem ser matando alguém. Maneiras mais eficientes de dizer que algo está errado.


O assassinato da professora não mudou nada na realidade das pessoas como Sandro. Ninguém ficou mais rico por isso. Apenas foi reacesa a chama da indignação diária que ilumina a vida de quase todos os cidadãos de um grande centro urbano.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

1968: O ano que não terminou


Zuenir Ventura é autor da obra que descreve uma época de grandes transformações em todo o planeta. 1968 talvez tenha sido o ano mais tumultuado de todo o século XX e com toda certeza deixou, para suas futuras gerações, uma lição de luta, amor e garra. Falando sobre política nacional e mundial, comportamento social (principalmente por parte dos jovens estudantes) e movimentos populares, Ventura consegue trazer um pouco do que foi aquele período para a sociedade de hoje, do agora.

Os novos comportamentos conjugais, as brigas, o ciúme, a troca de parceiros e tudo que norteia uma relação foi o foco dessa primeira parte do livro. A mulher não precisava mais continuar casada com o mesmo homem durante toda uma vida apenas para agradar a sociedade. Zuenir faz uma observação sobre isso e vê que a mudança no estilo das roupas também sofreu influências por conta da liberdade de escolha. As vestimentas passaram a ser mais ‘insinuantes’, denunciavam as curvas femininas como nunca se viu antes. Talvez isso fosse um reflexo dessa liberdade, pois muitas dessas mulheres acabavam sozinhas e as roupas eram uma das maneiras de chamar a atenção.

Outro tema abordado e bastante polêmico foi a sexualidade. Enquanto um casal se separava para formar novos relacionamentos, uma população bastante jovem se rebelava. Além das mulheres e suas roupas insinuantes, também surgem os homens com seus cabelos compridos. Aparecem os hippies e sua filosofia de paz e amor. O homossexualismo passou a ser motivo de preconceito. O sexo, que era um tabu até então, se torna assunto de mesas em bares e salões de festa.
O escritor também fala da juventude de 68 que passou a analisar e entender o chamado do mundo para uma nova época. Fala de como os movimentos juvenis surgiram por todo o mundo quase que simultaneamente. As penalidades sofridas foram muitas, mas todo o esforço foi deixado em forma de grandes conquistas para as gerações de hoje.

Em certo momento do livro, Zuenir escreve sobre um assunto que interessa a nós jornalistas. Data desse período o surgimento de um dos maiores veículos de comunicação: a televisão. Em 1968 ela ainda não era esse agente formador de opiniões que é hoje, mas já servia para cobrir eventos artísticos, especialmente os musicais. No Brasil, despontam artistas como Geraldo Vandré, Chico Buarque e outros que, através de sua música, faziam seus protestos discretos, já que a ditadura era opressiva o suficiente para, de certa forma, os convidar a ficarem calados.

Os movimentos dos estudantes por melhorias e mudanças no sistema de educação, as mulheres lutando para que seus direitos valessem de alguma coisa, a classe média e até a burguesia se aliando aos pobres em busca de um mundo melhor, as bandeiras chamando por liberdade e igualdade e todas as marchas, todos os protestos e até mesmo todas as mortes, fizeram daquele ano um ano que não teve fim. Um ano que serviu de impulso para grandes mudanças. Um ano que certamente não sairá da história.

Zuenir colocou em poucas páginas um ano inteiro, dezenas de acontecimentos e milhares de vida. Fez uma retrospectiva do passado e da herança que ele nos deixou. É um brilhante relato que embala a vida de gerações inteiras mesmo que de maneiras diferentes.





quarta-feira, 16 de abril de 2008

Heranças da Idade Média


Entende-se por Idade Média o período de transição, de mudanças em um determinado lugar. Mas Época Medieval diz respeito, necessariamente, aos “novos tempos” da Europa. Foram anos que deixaram muitas coisas úteis para os dias atuais. A Idade Média surge em um contexto de desintegração do Império Romano Ocidental. Seja no campo da arte, da gastronomia ou das ciências, foram muitas as heranças deixadas para o mundo atual.

Ainda hoje é possível ver obras daquela época nas igrejas, uma vez que a arte era financiada pela religião. Mesmo com a construção de muralhas e castelos para proteger o povo, as cidades foram invadidas por bárbaros que destruíram muitos dados importantes, inclusive parte do que se sabia a respeito da perspectiva. Pinturas e tapeçarias também ganharam espaço. As tapeçarias aqueciam os castelos além de decorá-los. Além de conhecimentos da arte, perdeu-se também muito sobre a ciência e a tecnologia. Os dados ficaram imprecisos e até mesmo errados devido a traduções mal feitas de materiais obtidos no período “pós-barbáros”. Os mais esclarecidos da época eram os clérigos, que estudavam nos mosteiros. Mas isso muda a partir do século 1100 d.C.

Há uma revolução na Europa que modifica a sociedade, sua economia e seu desenvolvimento cultural. É aí que surgem as primeiras grandes universidades (Oxford, na Inglaterra, por exemplo). Trabalhos de tradução a serviço, principalmente, da física começam a ser feitos. Relógio, bússola e óculos foram algumas das inovações. A bússola ajudou muito nas grandes navegações, que permitiu um contato com o Oriente, sua cultura e gastronomia. Grandes descobertas a cerca da biologia marinha foram feitas.

A tecnologia influenciou nas guerras no que diz respeito à parte bélica. Médio Oriente e Península Ibérica eram os maiores responsáveis pela tecnologia armamentista, formando verdadeiros pólos de pesquisa.

A Idade Média também contribuiu com o jornalismo. Data desse período o surgimento da prensa móvel que era utilizada na impressão de livros (e, mais tarde, jornais). Começa então um período de mudanças. As noticias não eram mais passadas ao público através do ‘boca-a-boca’. A informação ganha espaço físico: o papel, a folha de jornal.

Há controvérsias a respeito da origem da prensa móvel. Para os europeus e boa parte do resto do mundo, a prensa surgiu na Europa, com Gutenberg. Mas há quem diga que o aparelho surgiu muito tempo antes na China, em uma forma mais rústica. Na China ou na Europa, o que vem ao caso é a relevância da prensa nas varias áreas, principalmente no jornalismo.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Trabalho no Paranoá


Paranoá completa 50 anos em 2008. Cidade-satélite do DF, está localizada a 20 minutos do centro de Brasília. Ainda não possui indústrias, mas seu comércio é forte. Sem indústrias, as opções de emprego ficam restritas e por esse motivo sua população procura trabalho no Plano Piloto e em outras regiões do DF. Com uma população de 65 mil habitantes, Paranoá disponibiliza áreas de lazer para os moradores tais como o Parque Vivencial.
O 1° semestre de Jornalismo do IESB recebeu um trabalho do professor Réus Antunes Oliveira, referente à matéria de História e Filosofia da Ciência. O trabalho foi dividido em duas partes: uma entrevista com o administrador do Paranoá, Sérgio Costa Damaceno, que está em função desde o ano passado e um questionário a ser feito com a população local para saber as quantas anda o quesito esporte no lugar.
O grupo responsável pelo trabalho conseguiu marcar um horário com o administrador. Ele falou um pouco sobre o projeto que está em desenvolvimento. Em um ano, Damaceno construiu 15 quadras poliesportivas. Além de servir para a pratica de todos os esportes (futsal, handebol, basquetebol e voleibol), as quadras são usadas pela sociedade para diversos eventos. Igreja e comunidade utilizam os espaços como precisarem desde que haja um comunicado antecipado dessa utilização e uma autorização para esta por parte da Administração.
As quadras vêm sendo construídas com a intenção de manter crianças e adolescentes mais ocupados, fazendo com que eles se afastem das drogas e de outros problemas que a mente desocupada possa trazer. Apesar disso, todos que se interessarem têm acesso. Inclusive há uma quadrada construída especialmente para idosos e próximo a quadra, os idosos mais necessitados buscam pão e leite na parte da manhã. O trabalho parece ser bem visto por essa parte da população.
Pode-se notar que, de fato, as crianças utilizam bastante esses espaços. Foram comprados uniformes mais simples para a distinção entre os times e profissionais da área de esporte estavam acompanhando essas atividades físicas. Damaceno faz questão de dividir a verba vinda do governo para fim esportivo entre as varias modalidades, mas o futsal foi o único jogo observado durante o trabalho. Há uma preferência entre a população por essa parte.
De acordo com Damaceno, a violência e o consumo de drogas caíram com a construção dessas quadras, pois elas ocupam um espaço que era usado entre jovens do Paranoá para o uso dessas drogas. Mas essa visão não é unânime. Falando diretamente com a população, o que se pode notar é um descontentamento por parte do povo. Os que não estão descontentes vêem com pouca relevância as melhorias trazidas por essas quadras. Alguns até alegam o fato de os meninos ficarem ainda mais ‘à toa’ que antes. Outros dizem não ter mudado em nada a rotina deles.
Perguntando pela parte de estrutura esportiva propriamente dita, o que se ouve são reclamações. Parte dos entrevistados diz gostar de esportes aquáticos e reclama da falta de espaço para a prática destes e dizem, também, só haver espaço para o futsal. Quanto a esse aspecto Damaceno não havia comentado nada em sua entrevista.
Pode-se tirar desse trabalho que quadras são muitas. Até demais, de acordo com a população. Mas falta espaço para outras modalidades. Falta um atrativo para as crianças, pois não basta construir quadras. É necessário apoio e incentivo para que a população faça parte do esporte e ocupem esses espaços para o que realmente interessa: a melhoria na qualidade de vida.

O Caso Wells


A história Guerra dos Mundos é conhecida, hoje, como um filme lançado em 2005 e estrelado por Tom Cruise. Mas o romance não é atual e já causou muita polêmica.
Escrito por Hebert George Wells (ou H.G Wells), o livro serviu para algo mais que um roteiro para filme de Hollywood. Trata-se de uma narrativa sobre a invasão de marcianos, alienígenas que possuem inteligência avançada em relação ao ser humano, ao planeta Terra. Despertando em Orson Welles, radialista que trabalhava nos EUA na ocasião, um sentimento de interesse, o romance foi ao ar pela rádio CBS, onde Welles trabalhava, e causou grande tumulto.
Em Guerra dos Mundos, um programa de rádio está sendo transmitido e é interrompido constantemente com noticias sobre uma invasão marciana ao planeta Terra.
Esse romance foi transmitido em uma rádio norte-americana. Welles só comunicou aos ouvintes que se tratava de ficção no começo da apresentação e ao final dela. Como o radialista não deixou claro que aquilo se tratava apenas de uma história, de um romance, as pessoas que sintonizavam a rádio daquele momento, acreditavam fielmente que o planeta estava sendo invadido por seres extraterrestres.
A confusão foi geral. Cerca de 6 milhões de pessoas ouviram a programação da rádio naquele dia. Pelo menos 1,2 milhão desse total entrou em estado de pânico por acreditar no que ouviu.
Muitos se perguntariam, nos dias de hoje, como alguém poderia acreditar numa história dessas. Deve-se levar em consideração o poder que a rádio tinha naquela época. Era o meio de comunicação mais utilizado. Tinha a credibilidade por parte da população.
Hoje, as pessoas não acreditam que há O.V.I.N.Is sobrevoando os céus de Minas Gerais? Não acreditam na presença de seres de outro planeta por conta de imagens que a TV mostra? Se filmam luzes no céu, logo relacionam com invasores (observem que essas luzes, normalmente, são aviões ou transportes do gênero).
Cada época se apega a um meio de comunicação. Cada meio de comunicação passa o que quer para as pessoas, de acordo com o senso e a moral dos responsáveis pela informação. Cada pessoa acredita no que quer. É assim desde sempre e não se deve julgar. E quanto aos marcianos, que venham nos visitar se esse for o caso.

Shatterd Glass


Longa-metragem lançado em 2003, Shatterd Glass causa polêmica. Trata de um relato da vida de Sthefen Glassa. Interpretado por Hayden Christensen, Glass é um jovem jornalista que subiu de um cargo simples de redator para redator freelancer de grandes revistas. Uma das pessoas mais requisitadas em sua área.
O jornalista tem grande apoio da sociedade. São vistos como pessoas honrosas. Trazem à tona verdades que poderiam nunca ser reveladas se não fosse o trabalho de pesquisa e investigação dele. As pessoas tomam conhecimento do que aconteceu ao seu redor, podem formar opiniões a respeito dos assuntos. Essa avaliação positiva vem Omo um “muito obrigada” pelo serviço prestado em favor da sociedade, mesmo que isso custe o emprego desse ou daquele profissional da área de comunicação social.
É assim que deveria ser. A função de um jornalista é informar independente da resposta que isso trará. O que acontece é que algumas pessoas querem subir no campo do jornalismo a qualquer custo, relatando falsas verdades, prejudicando inocentes e iludindo os mais desavisados.
Em Shattered Glass, um jovem jornalista ganha fama escrevendo artigos. As informações contidas em seus artigos são inacessíveis a outros profissionais. Ele sabe de todos os fatos antes de qualquer outra pessoa. Relata histórias impressionantes, com dados curiosos. Seria o profissional desejado por qualquer empresa de comunicação, não fosse o fato de que esses artigos eram falsos.
O texto de Glass que abriu as portas para a descoberta das mentiras se chama Harcker’s Heaven (O paraíso dos Hackers). Contava a história de um garoto de 14 anos que invadiu a rede de computadores de uma empresa e publicou fotos pornográficas no site. O fato teve grande repercussão.
É nesse contexto que entra em cena uma série de outros jornalistas de uma empresa concorrente. Eles começam a investigar as fontes de informação de Glass e descobrem que até as tais fontes eram falsas, inexistentes. Descobre-se então os falsos artigos.
Glass aparece no final do filme afirmando que aqueles vários artigos escritos por ele eram todos mentirosos. Depois da glória, veio o desemprego e o nome sujo no meio jornalístico.
Quanto mais rápido alguém sobe, sem constituir uma base sólida, mais rápido, desaba. E o tombo pode não ter remédio. É essa a mensagem que pode ser tirada de Shattered Glass – O preço de uma verdade.

Dilema II


Um repórter mente e suborna fontes para obter informações de interesse publico às quais não teria acesso caso se identificasse como jornalista. Isso é correto?


Para tudo existe um limite. Um jornalista até pode se “disfarçar”, se passar por um “não-jornalista” caso necessário, para conseguir uma informação. Mas não precisa, necessariamente, mentir. Pode apenas ocultar sua profissão. Não precisa espalhar aos quatro ventos que exerce a função de informante da sociedade. Se a polícia pode trabalhar à paisana para combater o crime (que é sua função), o jornalista pode ocultar sua profissão para obter notícias e realizar seu trabalho.
Como em toda profissão, deve-se levar em consideração a parte que diz respeito à ética e à moral. Claro que roubar um documento, subornar alguém (que vem a ser até mesmo um crime) e mentir foge ao juramento que um jornalista faz ao final do seu ensino superior. As medidas para atingir um objetivo devem ser colocadas na balança da consciência para ver até onde certas atitudes valem a pena. Tais medidas devem estar dentro dos limites, pois além de um juramento a cumprir, o jornalista tem uma imagem e uma credibilidade a proteger diante da sociedade.
Um jornalista é alguém que representa o povo, sendo assim, é uma figura pública e suas palavras e atitudes têm poder. Ele deve estar sempre atento a isso.


Dilema I


O jornalista deve publicar uma reportagem mesmo sabendo que ela pode prejudicar as pessoas?


A função de um jornalista é, antes de qualquer coisa, relatar um fato da maneira mais verdadeira possível. É claro que nem sempre a verdade favorece a todos. Pelo contrário. Muitas vezes, alguém sai perdendo.
Os fatos, os problemas, questões positivas ou negativas e assuntos em geral surgem a todo momento. E alguém tem que apresentá-los a sociedade. É curioso como as tragédias rendem mais que qualquer outra noticia. E as tragédias desfavorecem as pessoas, são prejudiciais.
Vexames políticos, irregularidades em grandes empresas ou doenças em rebanhos que impedem sua comercialização, são notícias que, quando jogadas em rede nacional, prejudicam uma pessoa ou um grupo delas.
É como um médico: por mais doloroso que seja para a família, ele deve informar o que está acontecendo com o paciente. Com o jornalista é mais ou menos o mesmo raciocínio. Ele deve contar a verdade, publicar a noticia por mais problemas que ela possa trazer a alguém. Doa a quem doer.
Muitas vezes o profissional do jornalismo é mal visto. Ou por não passar segurança no que diz e publica, ou por ser bom o suficiente a ponto de todos acreditarem em suas palavras. Quando o segundo acontece, quem sai prejudicado com a matéria a ser publicada, teme. Teme porque sabe o quão difícil será convencer o público do contrário. Mas isso faz parte do ofício.
No curso de jornalismo, o juramento final feito pelos formandos tem como eixo norteador, palavras do sentido de honrar “sempre os preceitos da ética, da verdade e da justiça”. A notícia tem q ser dada e a verdade, dita.

O Quarto Poder


Legislativo, Executivo e Judiciário. Esses são os três poderes que os cidadãos conhecem, ou pelo menos deveriam conhecer. Mas de uns tempos pra cá, um novo item foi incluído nessa lista. O ‘quarto poder’ é o nome que a imprensa recebeu por conta de sua habilidade em manipular a opinião pública. Já é possível perceber que a população acredita muito mais na imprensa do que nos poderes anteriormente citados. Acreditam muito mais naquilo dito por um telejornal do que naquilo dito em discursos de políticos.
Pensando nisso, o cineasta grego Constantin Costa-Gavras (também conhecido pelo filme A Confissão), resolveu dedicar-se a algo presente nos tempos modernos: a relação ‘Jornalismo X Show Business’.
O filme conta a história de um jornalista chamado Max Bracket (interpretado por Dust Hoffman) que é convocado para reportar as dificuldades financeiras de um museu local. Um assunto um tanto quanto tolo no pensamento de Bracket. Mas, enquanto o jornalista fazia seu trabalho, ele se depara com uma situação que poderia dar um ‘Up’ à sua reportagem.
Sam Baily (John Travolta), que trabalhava como vigia do lugar, entra no museu, armado, e quer tirar satisfações com quem foi sua chefe até antes de ser despedido. Crianças também estavam no museu naquele momento. Era evidente o descontentamento de Sam em ter perdido o emprego. Ele faz sua antiga chefe e todas as crianças que lá estavam de refén. Foi aí que o jornalista viu uma luz para seu trabalho medíocre. Bracket aconselhou Sam por três dias. De acordo com seus próprios interesses jornalísticos, é claro. Desta forma sua simples reportagem virou um grande assunto. Entre idas e vindas, a matéria de Bracket foi ganhando audiência e ele foi ficando cada vez mais conhecido.
É exatamente esse o assunto do filme. Pessoas e situações são manipuladas de acordo com os interesses da imprensa e de quem a apóia. O que falar, de quem falar, quando falar... Tudo isso é ‘matematicamente calculado’ a fim de se obter o maior proveito da notícia. Antigamente a informação era passada com o interesse de informar. Hoje ela está mais para um comércio. Faz parte de um jogo de interesses onde quem não favorece algum dos lados, poucas chances tem de permanecer no cargo.
Brackets existem aos montes. Bailys? Existem ainda mais. O quarto poder existe e ele pode ser tão bom quanto ruim. Nesse jogo de favorecer alguém, eles acabam mostrando os vários lados de uma mesma questão, permitindo que o ouvinte ou telespectador tenha base para formar suas opiniões. Pelo sim ou pelo não, as noções de informação mudaram... e os poderes também.

O Inaceitável que é aceito


Desfazer-se de um bebe jogando-o na Lagoa da Pampulha, esquecer uma criança dentro do carro por horas, arrastar outra por cerca de sete quilômetros ou mesmo empurrar uma menina de um prédio não é motivo para pânico. Por que seria? Só por que a humanidade sempre foi intolerável a esse tipo de comportamento e se sensibiliza muito mais do que em relação a qualquer outro crime? Só porque se tira a vida de inocentes indefesos sem que eles entendam, ao menos, o porquê da brutalidade e do descuido? Imagina!
Uma pesquisa pioneira sobre o infanticídio mostra dados alarmantes. Entre todas as mortes de crianças, 5% delas são ocasionadas de forma intencional, ou seja, essa parcela é referente a assassinatos. Desse total, de 2 a 6% estão dentro do que hoje se conhece por filicídio. Isso ocorre quando o pai ou a mãe (ou até mesmo ambos) assassinam o próprio filho. O que leva um pai ou uma mãe a isso? Na visão dos especialistas, são várias as hipóteses. Uma comumente usada é a de depressão pós-parto. Com motivo ou não, o assassinato de uma criança aterroriza as sociedades em geral.
Certa vez li um texto interessante. Ele dizia que uma mulher, quando perde o marido fica ‘viúva’. Um homem quando perde a esposa, fica ‘viúvo’ e uma criança quando perde os pais, fica ‘órfã’. No entanto, para um pai ou uma mãe que perde um filho, não há palavra que expresse a situação. É inaceitável que uma criança morra antes dos pais. Foge à lei da natureza. O que dizer então de uma criança que é assassinada por quem deveria garantir sua segurança?
“Nossa flor tão amada, nunca entenderemos o porquê”. É essa a frase que abre texto de Cristiane Nardoni em homenagem a sobrinha e afilhada de 5 anos, Isabella Nardoni, que morreu no dia 29 de março. A menina foi empurrada da janela do 6° andar do prédio onde seu pai, Alexandre Alves Nardoni, mora com a madrasta de Isabella, Anna Carolina Trotta Peixoto Jatobá. Trata-se de um homicídio. Disso ninguém mais tem dúvidas. A questão agora é saber quem o cometeu. A suspeita paira sobre Alexandre e sua atual esposa.
O crime por si só gera polêmica. Como alguém poderia empurrar uma criança de uma altura de 20 metros? Por que faria isso? O que essa criança teria feito de tão grave para que se ‘perdesse as estribeiras’ de tal maneira? Qual é o limite da crueldade humana? Mas o mais intrigante é essa suspeita que coloca o pai da menina em maus lençóis.
Alexandre diz ter chegado com Isabella, Anna Carolina e seus dois filhos do segundo relacionamento, por volta das 23h30 do dia 29 em seu apartamento na Zona Norte de São Paulo. Diz ter subido com a filha e deixado a Anna Carolina e os dois filhos. Acomodou a garota e teria voltado para buscar o restante da família. Mas por que cargas d’água ele teria deixado os três lá embaixo esperando? Ora, um dos filhos tem 3 anos, poderia ir andando. O outro tem 11 meses. A mãe poderia muito bem carregá-lo. Ou seja, todos poderiam ter subido juntos. Além de atitudes sem nexo, as versões a respeito do que aconteceu, não batem. Alexandre conta de um jeito, Ana Carolina conta de outro. Aí tem coisa!
Pode até ser que, de fato, ambos não tenham nada a ver com a morte de Isabella. Mas a simples suspeita de serem os responsáveis, já mexe com o sentimental das pessoas. No site de relacionamento Orkut, a mãe de Isabella, Ana Carolina Cunha de Oliveira (sim, a ex e a atual possuem o mesmo nome), já recebeu mais de 100 mil mensagens. Recados de solidariedade vindos de todos os cantos. Ana Carolina já não consegue responder a todos.
É muito bom saber do apoio recebido em um momento desses, mas o ideal seria que esse momento nem mesmo precisasse existir.
A coisa está ficando tão comum que até nome já deram. Filicídio. Como permitem isso? Não adianta apenas se solidarizarem depois que a tragédia acontece. Caso fique provado que o pai é culpado, ele ficará preso por um tempo (com algumas regalias na prisão, diga-se de passagem. É, minha gente, ele possui faculdade de direito. Tem uma formação). Só isso. E a mãe continuará recebendo mensagens de apoio moral.
Agora digam: o que é melhor? Dar um nome especial para uma ação inaceitável porque ela se torna cada vez mais comum, ou torná-la inexistente a ponto de não mais precisarem mencionar esse termo?